29 de abril, testamento

As vezes me dá um pavor de morrer e as pessoas me enterrarem.
Eu já disse que se fizerem isso eu volto e puxo todos os envolvidos pra debaixo da terra comigo.
Como essa gastura as vezes me toma horas de pensamento, uma coisa inútil danada, afinal de contas estarei morta, fiquei a noite (de plena sexta-feira) estudando sobre testamentos. Quis saber onde eu coloco que, por favor, me cremem e me joguem ao mar. Qualquer mar. Outra providencia, foi mandar um email para uma amiga com todas as minhas senhas para que ela cuide das minhas redes sociais enquanto eu não estarei apta.

Grata.

7 comentários sobre “29 de abril, testamento

  1. Curioso você escrever isto, no dia seguinte meu avô morreu. Foi uma dor de cabeça danada pra todo mundo pensar coisas como o velório. Ele queria ser enterrado ao lado dos pais, isso sabíamos. Mas ele queria velório no cemitério? Na igreja? Com culto? De quem? São coisas simples, mas, naquela hora, decidir até entre sopa ou creme de mandioquinha dói. Doeu muito, e eu nunca tinha acompanhado um enterro do início até o fim. E saí de lá decidida a saber tudo: meu pai quer o corpo doado para pesquisas (não vei ter nem nada), minha mãe quer ser enterrada direto, sem velório, junto com meu irmãozinho e eu quero ser enterrada sem cimento, que é pra servir de adubo, depois que tirarem de mim todos os órgãos possíveis para doação. Vale a pena deixar estas coisas bem claras, pelo menor sofrimento dos outros também.

  2. boa história da elisa e lindo testemunho da jéssica! também penso sobre essas coisas, mas nunca chego a nenhuma grande conclusão. a única certeza que quero ter é ter feito tudo o que eu gostaria antes de morrer.

  3. Eu não quero dar trabalho nenhum. Já estarei morta mesmo, cês fazem o que bem quiserem. Acho uó isso de ficar inventando moda pros que ficam.

  4. meu pai dizia que queria ser cremado. e ele falou isso váaaarias vezes. mas como a gente num gosta de falar desse assunto, nem dava corda, e mudava logo o rumo da prosa. daí, ele morreu meio que rápido demais, e tá, cremamos, mas o que fazer com as cinzas? deu uma dorzinha de cabeça, até que finalmente resolvemos plantar uma árvore e colocar ele lá, no pé da árvore. tomara que ele tenha gostado.

  5. e tenho um tio que conta de uma prima dele que tinha pavor de morrer e ser enterrada num lugar que não fosse a cidade dela.
    daí ela escreveu vários bilhetes e deixava em todos os lugares da casa. acharam bilhete até dentro do caderno de receitas!
    coincidentemente alguém achou um bilhetinho no dia anterior à morte dela e pedido feito, pedido atendido 🙂

  6. Quero ser cremada. Mas antes podem doar o que puder …
    As cinzas? Joga num jardim. No mar.
    Só não faz guardar. Tenho horror a isso.

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