13 de dezembro, separar briga de quem eu não conheço

o Rio de Janeiro é uma cidade maravilhosa todo mundo sabe é óbvio mas é essa cidade maravilhosa que tem levado minha ingenuidade toda por água abaixo coisa que por um lado eu sei ok é bom é importante é assim que é a vida mas por outro meu deus que pena que é assim que é a vida

no bar, a mulher pede para o pessoal falar mais baixo
eles, em coro, a xingam de velha (batendo palmas)
meus olhos não conseguem parar de olhar
ela tenta explicar, eles aumentam o tom de voz
eu me aproximo e digo
minha senhora, eles não tem elegância, não se dê ao trabalho
ela me olha, faz com a cabeça que concorda, e continua a falar com eles
ela encosta nas costas de um deles
ele levanta e estoura um tapa no rosto desta mulher

ela está ao meu lado
eu me meto no meio dos dois
eu não podia acreditar no que acontecia
o barraco está todo armado mas não é uma questão de barraco
esse cara não tem raciocínio
esse cara é um animal
a senhora liga para a polícia e ele arranca o telefone da mão dela e arrebenta no chão
estamos eu e as meninas metida no meio dessa zona
até que

quando eu me toco
o tipo de gente
pra coisa chegar naquele ponto
não custava nada alguém ali levantar uma arma
e a minha mãe me matar porque eu morri numa briga de bar que não era minha

ainda durou
o monstro sobe na moto, acompanhado da namorada, que depois desce para bater no rosto da senhora de novo
eu quero dizer que tem uma gentinha habitando o mundo
que eu não as enxergava
que no meu mundo essa gente não passava
mas não tem dado para negar
e se eu não tivesse tanto medo de morrer
se eu não estivesse vendo com tamanha clareza que essas pessoas são mesmo perigosas
se eu não amasse tanto a minha vida
eu me meteria em todas as merdas
eu ia brincar de ser justiceira
ia começar aqui na esquina
e ia terminar lá no congresso

8 comentários sobre “13 de dezembro, separar briga de quem eu não conheço

  1. Elisa, quando aquele carioca dono da adega pérola nos pediu para parar de cantar, o quêa fizemos?
    Pedimos a conta e fomos embora, como bons mineiros que somos. E fomos cantar na esquina [o que também deve ter perturbado alguns outros…]

    Também para mim, na minha humilde delicadeza, não existem estas pessoas e quando presencio algo do tipo, custo a acreditar que elas possam agir de tal maneira.

    É de desanimar e de encher os olhos por conta desta senhora. =/
    Inacreditável.
    E totalmente ‘acreditável’ que vc tomou as dores.

    Cuide-se.❤.

  2. Concordo com a Joana Alves. A gente tem de respeitar os limites quando se está em grupo. Qdo vejo algo errado, não necessariamente briga, também me manifesto, às vezes vou ao policial, ao encarregado, ao segurança. Mas aí eu paro, porque tb amo minha integridade. Essas pessoas são nada (para mim são invisíveis), perturbam, mas são nada, inclusive para elas. Por isso fazem essas coisas.

  3. esse mundo de hoje é assim mesmo, as coisas se inverteram: quem tem razão é obrigado a se calar, enquanto quem não tem fala cada vez mais alto, é cada vez mais mal educado, espaçoso e intolerante. e parece que nesse jogo, quem sai ganhando são eles.

    eu fico imaginando essa senhora chegando em casa, envergonhada, humilhada e machucada na alma. porque um tapa na cara de alguém desse tipo não violenta só a carne…

    episódio triste, que bom saber que existe gente como você que, mesmo com medo, ainda tenta fazer alguma coisa.

  4. É desumana a falta de carater desse bandido! Que horror…

    Por outro lado, que linda e corajosa sua atitude, não recomendada é claro, mas muito linda mesmo sua atitude…

    O mundo ainda vale a pena por atitudes iguais a sua.

    Vamos orar por um mundo orar.

  5. Elisa Mendes, interessante demonstração de cidadania e humanidade da parte da senhora! Quem dera tivéssemos todos, entendimento claro do que se trata um dos princípios constitucionais enumerados no art. primeiro – soberania, CIDADANIA,… Cidadania é isto, não nos quedarmos inertes ante a situações claramente incorretas, imorais, desumanas,… que nos cercam diariamente.
    Contudo não deixe que o medo, a insegurança te impeça de agir quando necessário, em favor principalmente dos indefesos.Basta ter bom senso. Arrisque-se, lembrando que isto poderia ter ocorrido com um dos seus… Será sempre muito bom ter alguém que se importe com os problemas alheios.

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